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Sons do coração, música da vida

por Ivone Neto, em 29.07.11

Há muitos sons que nos tocam. Nosso contato com o som acontece desde muito cedo. No ventre materno já começamos nossa jornada auditiva. Os sons nos acompanham por toda vida. Eu tenho meus sons preferidos: a música da maré dançando ao sabor dos ventos; o galo cantando na alvorada; o crepitar do fogo no fogão da casa de minha avó; as vozes dos meus avós rezando o terço; o sino. O sino no compasso do meu coração. O sino anunciando o crepúsculo. O sino marcando o início da novena. O sino é sagrado.


Hoje eu acordei lembrando os sons de minha vida e como eles são especiais. São tantos. Sons da natureza, das canções, das vozes, das casas e sítios dos personagens de minha história. Lembrei-me de uma amiga maravilhosa que sempre aprende e ensina compartilhando poesia acompanhada de sons e ritmos. Certa vez ela nos contou sobre uma região da África na qual cada criança que nasce é presenteada com uma música composta especialmente para ser só sua. Que bela certidão de nascimento. As crianças tem uma ligação muito forte com os sons. A serenidade do sono acalentado por uma canção de ninar é tão sublime. O som é como um manto que abraça nosso corpo, coração e alma.


Nosso cotidiano é repleto de sonoridade. Algumas nem tão saudáveis assim nesse ambiente urbano. No entanto, mesmo nos dias mais agitados temos a possibilidade de nos conectar com sons que nos faz um bem enorme. Eu começo o dia no trabalho com uma seleção de música. É um ritual matinal para iniciar com energia positiva a manhã. Os minutos caminham e os sons dos ônibus, carros, caminhões e motos aumentam e seguem no vai e vem constante. No final do dia, me despeço dos sons urbanos do trabalho e volto ao lar. Os sons da casa são diferentes e adormeço com a quietude do silêncio.


E mãe é tão ligada no filho que ao mínimo som de um resmungo já desperta. Há noites que minha pequena dorme um sono completo. Em várias outras ainda acorda na madrugada no horário que costumava mamar. E a primeira palavra que pronuncia é “mamãe”. Lá vou eu para seu quarto atender seu chamado. Muitas vezes ela está apenas falando dormindo e eu canto baixinho a sua canção de ninar que inventei e seu sono volta a ser profundo:


Lua, lua, luar
Lua Isabelly Luar
Linda Lua no céu a brilhar
Lua vem cantar uma canção de ninar
para a princesa Isabelly nanar...


Compartilhe seus sons da vida.
Maria Ivone Neto Mourão
mivoneneto@gmail.com

publicado às 12:40



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