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Crianças de férias, mães trabalhando

por Ivone Neto, em 07.01.23

Um roteiro conhecido de muitas mães e pais que tem que se contorcer de muitas formas para atravessar essa fase. Nosso ano letivo tem duas férias anuais e nem sempre as dos pais coincidem com esses períodos. Não é fácil contornar essa ausência e nem sempre temos condições de programar passeios ou viagens. É um privilégio poder tirar uns dias de folga enquanto eles estão de férias escolares.

Eu digo isso aos meus porque conheço muitos pais que sequer tem recursos financeiros para uma ida ao teatro, cinema ou até um parque. Uma viagem de férias é um sonho nem sempre possível de realizar. Para uma parcela significativa da população falta até o básico. Muitas mães que dependem de creches e escolas tem que recorrer a parentes e amigos nas férias para driblar as dificuldades.

No meu caso, ainda passo sufoco nas férias escolares, mesmo hoje tendo como programar melhor minhas pausas. Eu já ouvi dos meus: “mãe porque você não é professora para tirar férias junto comigo?” É uma equação complicada para os pais que tem que se dividir e tentar alguma programação diferenciada, nem que seja na cidade onde moramos.

Para quem pode viajar tudo fica mais caro nessa chamada alta temporada.  Amarrar as férias apenas para julho e janeiro é um padrão que encarece e sufoca. Ano passado eu viajei em abril e o valor ficou muito mais acessível do que se eu tivesse ido em julho. Como a viagem foi programada com muita antecedência tive como negociar com a escola a reposição dos trabalhos. Na chamada baixa temporada as rodoviárias, aeroportos e outros lugares não ficam lotados como na alta, além de outros benefícios.

Aqui em São Paulo temos muitos atrativos e nem sempre conseguimos aproveitar. Uma boa dica são as atividades das unidades do Sesc que oferecem atrações esportivas, de lazer e culturais. Sempre tem uma programação especial de férias. Programas como o Recreio nas Férias, que acontece em Osasco, e que dá oportunidade para muitas crianças realizarem atividades de lazer nesse período, são excelentes iniciativas.

O clima das férias nem sempre é ensolarado. Em pleno janeiro chuvoso e até frio nesses dias aqui em São Paulo, um dos meus filhos, o caçula de 10 anos, está passando férias no sertão de Pernambuco, no sítio de sua bisavó, na companhia dos meus tios e primos. Além de ser uma experiência enriquecedora por tudo que ele está vivendo lá, é uma estratégia que me deixa segura em saber que ele está se divertindo na presença de pessoas que estimamos muito. É a primeira vez que ele viaja sozinho para tão longe. Ciente de que a saudade também ensina já estou pensando na programação das próximas férias.

Com esforço vamos tentando por aqui construir memórias afetivas das férias. Oxalá mais famílias consigam viver experiências valiosas nessa e em outras fases da vida. Todas as etapas maternais têm elementos árduos e aprendizes. Ser Mãe é um exercício dolorido e incrível.

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o Menino no sertão

publicado às 23:06

Violência política na escola

por Ivone Neto, em 02.11.22

O resultado das eleições está consagrado pelas urnas. Nosso sistema eleitoral é ágil e credível, um exemplo para o mundo. O país está dividido, é o que ouvimos.  Temos dois lados bem diferentes, ouço com frequência. Vivemos em uma Democracia e que continuemos assim.  É preciso aceitar as diferenças e, infelizmente, uma parcela de eleitores do que foi derrotado, segue agindo de forma truculenta e incentivando a violência entre todos.

Em todos os ambientes e nas escolas têm acontecido episódios temerosos, reflexo do que eles estão convivendo em suas casas, igrejas e comunidades. O episódio a seguir ilustra bem:
Dia 31 de outubro, Dia das Bruxas e do Saci, as crianças e adolescentes puderam ir fantasiados para a escola para brincar o Halloween (foi um convite da escola e a participação foi voluntária). Uma criança de 12 anos disse a minha filha de 14: “estou fantasiado de assassino do Lula e quero mesmo matar ele.” Ela saiu de perto, como tem feito sempre. Ela tem me contado que muitos meninos estão agindo de forma intolerante. Isso tem afastado muito os alunos e corroendo o ambiente estudantil.

A fala dessa criança ou, pré-adolescente, como eles gostam de ser chamados, diz muito sobre o comportamento da sua família. Fico refletindo em como as crianças e os jovens estão sendo impactados com essa postura hostil. Esse derby eleitoral escancarou de modo contundente o quanto é perigoso e doentio o preconceito religioso, social, racial, regional, linguístico e todas as discriminações que diminuem o respeito e ampliam a violência.

Ficam as perguntas para os pais desse e tantos outros:
O diferente deve ser eliminado? Ou devemos respeitar as diferenças?
Devemos promover o ódio?  Ou nos esforçar para a Paz nas relações?
Qual o caminho você escolhe?

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publicado às 10:27

As crianças, a violência e a política

por Ivone Neto, em 29.09.22

Corria o ano de 2018, meu filho Arthur brincava na área do parquinho no condomínio que ainda moro. Ele estava no balanço e fui chamá-lo para entrar. Tinha uns 4 garotos contando com meu caçula. Ao me aproximar ouvi outro garoto que aparentava ter entre 7 e 8 anos dizendo em alto som: “tomo mundo que vota na Dilma deve ser morto, disse meu pai e o pastor.” Eu peguei Arthur pela mão e sai de perto. Ele assustado ao entrar em casa perguntou: “mãe porque odeiam tanto essa mulher?” Difícil explicar para meu filho que tinha 6 anos em 2018 o tamanho do ódio que destilam contra as mulheres e que vivíamos um ambiente político cruel. Lembro de tê-lo abraçado com um nó na garganta e dizer que esse tipo de comportamento odioso é muito ruim para todos.

Corre o ano de 2022 e ao ouvir um comentário na TV sobre propaganda política, Arthur me disse: “Mãe cuidado para quem você diz seu voto porque podem te machucar.” Meu filho tem 10 anos. Eu sentei com ele no sofá e disse: “Eu sei filho e tenho plena consciência de quem eu sou, do que sinto, do que faço e para quem e porque eu voto. Irei me proteger.” Uma criança com 10 anos e com essa percepção de quem desde a eleição passada vê outras crianças apontando “arminha” ...Ele que é tão Afetuoso teme que eu sofra violência ...Uma criança de 10 anos já tem noção do que é violência política especialmente contra mulher...

Arthur que tem Mãe e irmãs que tentam ensinar ele a agir diferente, mesmo ele presenciando atitudes tão desumanas e criminosas de preconceito por toda parte. Triste e desafiante. É uma situação que exige de nós muito esforço para evidenciar o quanto o respeito nas relações é vital. 

O que mais procuro ensinar: Aprendam sempre, questionem e respeitem as diferenças. A diversidade é uma dádiva. Eu tenho orgulho da Mãe que sou e dos filhos que tenho. Sei que sou falha e que estou sempre em construção, mas uma certeza me acompanha hoje e sempre: O Amor é o caminho. 

Eu tenho chorado Rios e anseio por navegar em novos Mares de Esperança!

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Desconheço a autoria da foto com o texto sobre o ódio que está nesta colagem de fotos minhas. Recebi de uma amiga. Te convido a aceitar o esforço do Amor.

publicado às 14:31

Sobre semelhanças, diferenças, desafios e partilhas maternais

por Ivone Neto, em 12.03.22

Já escrevi aqui sobre os desafios da maternidade com base nas minhas experiências. E observo também a caminhada de outras mães. Há muitas similaridades e também muitas diferenças, pontuando que cada uma de nós vai tecendo sua história de modo único. Quando falo em semelhanças é diferente de comparação. Aliás, tenho horror às comparações carregadas de rótulos e julgamentos. Quando rotulamos restringimos a visão, quando respeitamos e nos abrimos para novas percepções somos capazes de avançar na compreensão do outro, com mais empatia e amor.

Situações semelhantes como, por exemplo, o primeiro dia do filho na creche, os primeiros dentes, a primeira formatura, as espinhas, as primeiras paqueras, passeios com amigos...Sentimentos semelhantes como culpa, medo, dúvidas, alegrias, admiração...são semelhantes sim, no entanto, nosso sentir e ação diante deles são diferenciais. O modo como eu sinto ou reajo pode ser o oposto ao de outra mãe em um mesmo acontecimento. E não quer dizer que estou certa e ela errada. Somos humanas distintas. E todas nós vamos errando, ensinando e aprendendo, num ciclo contínuo.

Sou mãe de três e em cada fase fui amadurecendo. Fui mãe cedo, aos 19 anos. Quando a Isa nasceu eu tinha 33 e o Arthur eu já tinha 37 anos. São ciclos com transformações permanentes. A mãe da Bruna não foi a mesma da Isa nem é a do Arthur e eu sou a Mãe da tríade nessa metamorfose de mudanças. Ainda hoje quando me perguntam algumas coisas sobre cólicas e outras assuntos corriqueiros eu não sei responder. Gente tem coisas que parecem foram apagadas da minha memória. Algumas estão bem vivas como o cheiro deles, a canção de ninar dos três, o jeito de mamar. Agora se me perguntarem qual remédio para cólica ou o que fazer quando está nascendo os dentes, não vou saber responder, vou recorrer a minha farmacêutica de confiança. Quando é sobre outras pautas e o que não faltam são assuntos para as mães, eu partilho minha vivência, enfatizando que não quer dizer que é o certo e que cada uma vai aprendendo no dia a dia.

Trocar experiências com outras Mães é enriquecedor. Esses dias falando sobre o cansaço de trabalhar, amamentar a noite e os demais etcs do nosso cotidiano, eu relatei que quando o meu caçula tinha 9 meses, um dia eu estava tão exausta que estava lavando a louça do jantar e as lágrimas escorria quentes em meu rosto e meu marido assustado perguntou o que estava acontecendo: “estou cansada. Chorando de cansaço.” Esse diálogo sobre o cansaço despertou outras memórias, como o processo de desmamar o Arthur. Na sequência da crise de pranto eu tive dois desmaios em uma mesma semana e vi que estava na hora de mudar, de desmamar para ter uma noite de sono reparadora. E foi o que fiz.

É preciso aceitar o seu cansaço, ouvir seu corpo, isso de ser a Mulher Maravilha que consegue dar conta de tudo é um padrão que querem nos impor. Agora estou numa outra fase, meu caçula logo completará 10 anos, meus cabelos brancos pipocam, os sinais da menopausa já acenam, preciso priorizar a saúde, os cuidados com minha qualidade de vida. Minha sensível Isa já é uma adolescente, minha primogênita já é mãe da Peaches e Damian. Sim, eu sou Avó e a nova estação já está repleta de desafios que exigem novas mudanças. Nessa caminhada sigo dialogando com as mães e agradecendo as nossas semelhanças e diferenciais nessa pluralidade que é Ser Mãe.

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meu caçula menino Arthur, energia do afeto

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minha primogênita Bruna, a enigmática Mãe dos meus netos Peaches e DamianIMG-20220206-WA0012.jpg

Minha Menina Isa, o elo sensível

publicado às 15:23

dor, personagens e amor no roteiro do tratamento

por Ivone Neto, em 01.03.22

O tratamento do neuroma no pé da Isabelly está em curso. Nessa trajetória muitas andanças e personagens. Tudo começou em agosto/2021 com uma dor e um pouco de inchaço no pé direito. Foi nesse mês a primeira ida ao Pronto Socorro, passamos no ortopedista, ele examinou o pé, não viu nenhum indício de fratura e passou antibiótico por 7 dias, já que segundo ele parecia mais uma infecção.

O tempo correu e em setembro o mesmo pé voltou a doer a ponto de ela ter dificuldade para colocar o pé no chão. De novo fomos ao hospital, fizeram raio-x e nada de fratura. Informei ao médico de que ela havia ido há cerca de 1 mês atrás com o mesmo sintoma e que já tinha tomado antibiótico por 7 dias, ele acrescentou exame de sangue e disse que novamente parecia uma infecção que poderia não ter sarado com o primeiro remédio e saímos de lá com mais uma receita com antibiótico para 10 dias e ela foi medicada no prazo indicado.

Outubro chegou e não deu 20 dias do término do antibiótico e novamente o pé voltou a doer e ficou roxo. A Isabelly chegou da escola e me ligou falando que não estava conseguindo andar com a dor no pé. Eu liguei no telefone de marcação de consultas do convênio e pedi para a atendente conseguir uma consulta com o ortopedista naquele dia, em qualquer unidade, na capital, em Osasco, Carapicuíba, Cotia ou Barueri. Expliquei que era o terceiro mês consecutivo que ela apresentava o mesmo sintoma e que eu não iria mais ao Pronto Socorro. Eu conseguiu um encaixe às 18:40 em Carapicuíba. Chegando lá expliquei ao médico o que estava acontecendo e depois de examinar o pé da Isabelly ele disse que o melhor seria fazer uma ressonância para identificar o que estava causando a dor. Saí de lá agradecida pelo encaminhamento correto.

Ressonância realizada dia 29/10/21, consulta em novembro já com o resultado do exame que nos mostrou tratar-se de um neuroma no pé direito. Encaminhamento para avaliação cirúrgica. Início de dezembro e chegar ao Tatuapé em um dia de caos no trânsito de São Paulo não foi fácil. Uber, trem e metrô lotados e mais alguns passos chegamos ofegantes ao local da consulta. Atendimento do Dr. Lucas e mais um encaminhamento para um tratamento com Fisiatra, eletroterapia e fisioterapia, uma alternativa para tentar evitar a cirurgia. No retorno para casa pausa para o pão na chapa, tradição paulista que amamos.

Estamos nesse processo até agora, 1 vez por mês no Fisiatra e 1 vez por semana na eletroterapia e fisioterapia. Tivemos uma pausa entre final de janeiro e meados de fevereiro no tratamento em função do aumento de casos de Covid. Em 18/02 retornamos e seguimos na jornada. Nesse roteiro, Santo Amaro e Santa Cecília, Uber, trem, táxi, metrô, livrarias, médicos, fisioterapeutas, atendentes, porteiros, ruas, igreja, prédios, janelas e descobertas pela capital. No meio desse caminho, consultas, exames e a cirurgia do olho da Isabelly, os vestidos no camelô na calçada da Santa Casa, os cafés nas padarias e a descoberta de que ver vai além de enxergar por conta do entrelaçamento de outra história.

Seguimos no processo, faltam duas sessões na Santa Cecília e no dia 23/03 teremos reavaliação do médico no Tatuapé. Nesses meses tenho observado com admiração a força da minha filha Isabelly, sua sensibilidade, seu sorriso aflorar mesmo diante da dor e do cansaço. A Mãe aqui segura na mão da Isa e seguimos juntas para vencer esse desafio. A agenda de março já está programada.

Que a Trindade Sagrada nos ilumine e que Santa Cecília nos acompanhe.

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no trilho da estação, no roteiro dos passos

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janelas que curam

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sinalização do caminho e fomos encontrando sinais na jornada

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os passos na rua e bairro familiar

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no meio da jornada pausa na livraria, paraíso para uma leitora apaixonada

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os trilhos de mais uma etapa

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seguindo o passo a passo

publicado às 18:23

Sobre o mix de cobrança, estresse, escolhas, saúde e bem-estar

por Ivone Neto, em 13.10.21

Quem já passou por uma situação de forte estresse e percebeu alteração em sua saúde? Aposto que muitas pessoas. Dor de cabeça, nas costas, no estômago e outras queixas são algumas delas. Embora sejam sintomas similares, cada um sabe aquilo que sente e os sinais do corpo soam como alertas. O que posso afirmar é que, seja um acontecimento pontual ou uma sequência de situações estressantes que vão se acumulando, os danos à saúde afetam a qualidade de vida. Digo isso por experiência própria, pelo histórico da úlcera severa que já tive, pelas pedras nos rins somatizadas, pela taquicardia e etccccc.

Claro que alguns acontecimentos fogem da nossa alçada, é a forma como aprendemos a lidar com eles que fará diferença. Procurar auxílio para enfrentar esses momentos é fundamental. É tão cruel ouvir que sua dor é sinal de fraqueza e, infelizmente, é comum essa fala: “você precisa reagir, ser forte.”
Quem determinou que precisamos ser fortes o tempo todo?
Até quando vamos permitir que a pressão de tantas demandas nos sufoquem?
Até quando vamos seguir relevando aquilo que internamente nos incomoda?
Quando iremos ter a coragem de finalizar ciclos?
Quando teremos a coragem de implementar aquela mudança tão sonhada?

Essas questões e tantas outras pipocam no universo de muitas mulheres. As cobranças se agigantam por todos os lados. E precisamos estar atentas para não se deixar enjaular pelos padrões ditados de tantas formas pela sociedade. E olha que até a jaula pode ser padronizada, embora seja muito mais algoz a violência para algumas mulheres, pauta para tantos debates cotidianos.
 
Ouça você, soa a voz da brisa maresia em meus sonhos.  Escute seus sinais. Reservar um tempo para si não é pecado. E até a culpa para isso as vezes surge em roda de conversas. É impressionante a carga de cobranças em cima das mulheres.

Se trabalha fora sente-se culpada por não dedicar tanto tempo aos filhos

Se fica em casa com as crianças e se desdobra nas atividades do lar, ainda costuma escutar a frase: ”você tem tempo para fazer as coisas porque não trabalha.” Como não???

Se decidiu tirar um tempo para si e família também escuta: “vai ficar defasada do mercado e terá dificuldade de retornar.”

Se tem 1 filho escuta aquela frase carregada de maldição: “quem tem 1 não tem nenhum”. Gente eu já ouvi isso quando tinha apenas minha filha primogênita.

Se não tem filho por escolha própria vive sendo indagada: “quando vai ter filho? Já passou da hora, vai ficar velha para engravidar”

Cortar vínculos é libertador. Mais uma vez digo por experiência própria. Ter contato com a parte da família que presta porque a parte que não presta tem e em todas que conheço. E isso vale para outros relacionamentos também.

Gente é tanta cobrança e preconceito aparentes e outros nas entrelinhas. Ligar o Foda-se de vez em quando é necessário. Tanto quanto procurar ajuda para alinhar a energia dos chakras, corpo, mente e espírito. É um caminho e cada passo é relevante. É preciso acolher a si mesmo e respeitar seus limites. Estou nesta caminhada e tenho tido uma colaboração preciosa da AW7 Bem-estar. É por isso que indico confiante a profissional Alessandra Francini Weimer de Godoi. Aliás, deixo aqui o serviço com seu telefone (11) 98141-2146.

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Ao querer abraçar o mundo devemos lembrar de nos abraçar também. 

publicado às 19:05

Pequenos grandiosos avanços

por Ivone Neto, em 30.09.21

“Mãe eu recebi elogios pelos meus pequenos avanços.” Eu considero grandiosos. Ela que esteve calada na sala até bem pouco tempo, agora já se comunica. “Mãe os professores agora conhecem minha voz.”

Ela que segue tirando boas notas e tem esmero em cada atividade que executa.
Ela que fala com brilho nos olhos das aulas e professores.
Ela que tem amigos na sala (“poucos mas tenho”)
Ela que ama ler e escreve bem.
Ela que está aprendendo a lidar com seus desafios. Tão madura nos seus 13 anos.
Ela que tem potencial gigante para seguir descobrindo suas habilidades.
Ela que me orgulha tanto.
Ela, a menina do meio e amada da casa.

Cada passo seu representa uma conquista imensa filha!
Entre o mar e o céu há um infinito de possibilidades. Mergulhe, navegue e voe Isabelly. Nós te Amamos e estaremos aqui para apoiar cada passo!

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Minha proximidade elementar. Menina das Águas e comunhão celeste

publicado às 16:44

O sol da saudade

por Ivone Neto, em 10.06.21

Tarde de domingo, o sol adentra na janela e aquece a sala, ele deita no mesmo lugar da Bruna, imerso em sua brincadeira. O caçula e a primogênita no mesmo canto ensolarado da sala. Ela está longe e está aqui na presença do irmão, tão parecido em alguns aspectos, como nessa cena tão familiar em minha casa. É outono aqui e primavera por lá, eu fico minutos paradas e subo devagarinho a escada para buscar o celular e registrar esse momento tão ímpar. Tem irmandade e comunhão na saudade, no vento leve, no calor do sol e na lágrima quente que escorre. Ele nem viu o clique, seguiu concentrado no chão da sala, com sua fértil imaginação no mágico mundo do brincar.

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Retrato de saudade

publicado às 20:30

Volta as aulas, medos, desafios e esperança

por Ivone Neto, em 17.02.21

As dúvidas, os medos e os desafios são enormes nessa pandemia e tem afetado muitas pessoas, empresas e instituições. O prejuízo ao aprendizado das crianças, a saudade do ambiente escolar e todas as mazelas das restrições impostas pela pandemia tem causado muitos transtornos às famílias. Muitos criticam o retorno das aulas presenciais e os argumentos são válidos. No entanto, como responder ao questionamento de muitas crianças, inclusive os meus que, dentre outras, indagam:

“você pode trabalhar e eu não posso ir à escola?”

“no jornal vejo as pessoas na praia e nós não podemos viajar?”

Claro que há respostas coerentes para as questões acima e tantas outras que ouvimos. No meu caso eu sempre procuro pontuar para meus filhos que cada família tem seu ritmo, regras e decisões. Convivo com outras mães que como eu precisam trabalhar e vivem uma dificuldade enorme para encontrar alguém para deixar os filhos. E também compartilhamos de outras adversidades desse período que está se alongando demais.

O ano passado minha filha de 12 anos sofreu muito com a ausência da escola. Estudiosa que é, chorou muito a falta presencial. A ansiedade dela deu um salto. O caçula sequer assistiu as aulas virtuais porque eu estava trabalhando. Tive que ficar me desdobrando fazendo as atividades com ele a noite e final de semana. Na atividade que exerço não tenho como atender home office e conheço mães que estão atuando nessa modalidade que estão sobrecarregadas também. Na minha casa foram três pessoas diferentes que ficaram com eles num intervalo de 8 meses. Além de dias que eles tiveram que vir para meu trabalho ou ficar na minha irmã que já tem uma carga grande porque eu não tinha outra alternativa.

As justificativas das críticas da volta as aulas são contundentes, mas é preciso enxergar a realidade de muitas mães que precisam ser ouvidas também. Os professores e toda equipe escolar deveriam estar na linha de prioridade da vacinação. A defasagem desse longo período sem estudo deixará sequelas por muito tempo. Eu que já tive Covid também ainda sofro de sequelas dessa doença e sei bem como é danoso. Cada sequela com sua dor e resultados.

Nossa decisão dos nossos filhos retornarem para a escola foi unânime. Eles estão indo todos os dias. Temos ciência do risco e enfatizamos os cuidados que eles precisam adotar. Confiamos na instituição que eles estudam que está se esmerando na pratica dos protocolos sanitários. A alegria da minha filha contando as novidades das aulas cotidianas me dá tanta esperança e aplaca um pouco do receio que sinto apertar meu peito.

Tem sido difícil, os nós vão apertando e os laços enternecendo. Cada um sabe o que sente. Eu durmo e acordo com uma mistura de sensações e tento não esmorecer, é um exercício cotidiano de perseverança. Os desafios são grandes. Que nossa força também seja gigante para seguirmos adiante.

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publicado às 14:34

A despedida, os amigos e a saudade

por Ivone Neto, em 29.12.20

Observando a alegria deles brincando na despedida do Léo que voltou para sua casa no Rio fiquei refletindo sobre as diferenças das infâncias. Da minha até chegar na do meu caçula uma transformação gigante, do cenário as brincadeiras, passando por tantas nuances das experiências. Uma viagem no tempo de mudanças. Do passado ao presente e ao futuro que logo chegará fiquei imaginando sobre as memórias e os laços que serão efêmeros ou duradouros.

Eles conversam sobre jogos, pulam na piscina, jogam futebol e vídeo game, trocam cartas do Pokemon, brincam e brigam um bocado. Diálogos gritantes, juro que tento entender o fio e muitas vezes fico perdida, outras eu morro de rir com os papos inusitados. São curiosos e agitados, bravos e afetivos, uma mistura doida e bonita de ver. Nesse ano tão atípico e cheio de restrições, perdas e desafios, as amizades foram fundamentais para essas crianças.

Eu convivo com amigas de infância. É tão precioso essa proximidade. Que eles tenham a graça, pelo caminho que cada um trilhar, de cultivar bons amigos para dar boas risadas e compartilhar os aprendizados da vida. Das dores as alegrias, como é abençoado ter amigos para partilhar a vida. A presença amiga é um presente da vida, de todas as gerações.

Um trecho do diálogo do Léo e Arthur tem notas de saudade e cheiro de afeto:
- Léo quando você vai voltar? Indaga Arthur.
- Não sei. Vou ver minha mãe e a gata Benta, estou com saudades.
“Mãe o Léo tem uma gata viu!” Exclama Arthur aborrecido por não poder ter bicho de estimação.
Eu respondo com um sorriso e ele volta a conversar com o amigo.
- Léo eu já viajei pro Rio e quero voltar lá pra ver a Dany e a Sol, uma cachorra bem danada.
- Lá é quente. Tem o mar. Chegando lá vou pra casa da minha avó.
E entre corridas e pulos eles continuam a falar.
Quando descemos eu digo pro Arthur: Filho logo o Léo volta. Ele tem que ficar um pouco com a mãe agora.
- E quando ele voltar teremos a noite do hamburguer. É muito bom!

Léo já está a caminho do Rio de Janeiro. E ficou por aqui o tom da saudade.134147441_4498850453459167_9197950382852057319_n.jA despedida do Léo. Chegadas e partidas marcando as amizades

publicado às 19:18


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