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Meu Blog Maternidade. Aqui vou registrando meu aprendizado do cotidiano de mãe. Minhas percepções, desafios, emoções, acontecimentos e sensações únicas da minha jornada maternal. Tenho duas filhas e um filho, três sementes, frutos, presentes AMOR
Adolescente e pré adolescente, uma com 16, outro com 12 anos. As amizades da escola, as efêmeras, as perenes, o aprendizado e os desafios das relações, dos filhos, dos pais, das turmas diferentes. Começa a fase das baladas, dos encontros, das afinidades próximas, dos que se distanciam, é um tal de um dorme na casa de um, outra na casa da outra e, de repente, o silêncio reina na casa.
Sexta e sábado, dose dupla por aqui. Festa de 15 anos, baladas do Halloween. A Isa com sua amiga. O Arthur com o amigo. E o papo dos pais que se reuniram discorrendo sobre o novo cenário. Deu saudade de vê-los reunidos como outrora. Uma melancolia no ar. Uma espécie de luto aflorado pela transformação. Sim, o luto não é apenas pela morte, ele também acontece por diversas situações como rompimentos, mudança de lugar, término de ciclos.
Arthur, por exemplo, teve recentemente a despedida de um amigo da sala que mudou de cidade. Foi triste e bonito observar sua dor que retratou o afeto dos laços criados no espaço estudantil. Ensinar que as mudanças serão permanentes não é tarefa fácil, mas é uma oportunidade também para aprendermos juntos. Me fez refletir sobre como a distância territorial é dolorida, porém não apaga as verdadeiras amizades. Há uma proximidade que palpita na saudade.
A Isa, embora mais introspectiva e madura, tem se tornado mais sociável. Vê-la evoluindo é gratificante. Seletiva por natureza, de sensibilidade aguçada, confio que seus filtros intuitivos são relevantes para criar conexões nutritivas. Ela que já enfrentou tantas adversidades, vai se fortalecendo e ampliando seu aprendizado com as vivências de cada estação. Acredito muito na sua potencialidade, ela é dessas que enxerga além em múltiplos sentidos. É raridade.
A despedida da infância é uma passagem de rito que causa um turbilhão de acontecimentos e emoções. A adolescência é um período de transição para a vida adulta carregado de descobertas, algumas agradáveis, outras nem tanto. É um processo árduo que exige muita paciência, flexibilidade e resiliência para ir vencendo as adversidades. Medo, coragem, sorriso, lágrima, preocupação, liberdade, confiança, escolhas, orientações e muitas experiências para tentar nomear. O ninho vazio, o ninho cheio, o colo, o abraço, as pausas, a chegada, a partida, o recomeço, o retorno, a ida...
Eu, uma mãe na pré menopausa com filhos adolescentes tenho chances de endoidar. Se bem que maluca já sou. O jeito é enfrentar essa missão e pedir muita saúde e força a Deus para acompanhar. Eu que já sou avó fico pensando em como minha primogênita vai lidar com a fase adolescente dos netos, no futuro que logo chegará. As conversas com outras mães nos dão uma noção da dimensão dessa batalha árdua e aprendiz. Partilhar nossas dores e amores é uma forma de nos apoiarmos. Embora cada uma tenha seu diferencial, nos encontramos em similaridades que nos aproximam e fortalecem.
Bora caminhar, ainda que em certos momentos cambaleantes, nessa travessia!

ter o aval de uma foto com eles é desafiante
Tenho 1 filha do século passado, com 30 anos. Outra com 16 e outro com 12, do século contemporâneo. São enormes as diferenças da infância dos menores, nem tão pequenos assim hoje, com a da primogênita. Se eu pensar na infância dos meus netos, a distinção é ainda maior. Sim, eu já sou avó de Peaches, Damian e da bebê menina que chegará em breve. Esses dias recebi um vídeo dos netos brincando na praia e fiquei refletindo sobre aspectos que enlaçam e diferenciam essas gerações.
Minha filha mais velha brincou muito na calçada, andou de bicicleta pelas ruas do bairro, adorava a pequena piscina de plástico que refrescava os verões paulistas, na companhia do seu tio irmão Henrique e amigo Higor. Isa e Arthur desconhecem o que é brincar na rua, a não ser quando viajam para algum lugar tranquilo, cresceram nos muros de um condomínio, brincavam no playground, jogavam bola na quadra. Assim como fiz com a Bruna, eu os levo para andar de transporte público. Sei de crianças e adolescentes que nunca andaram de trem, metrô ou ônibus.
Há realidades bem distintas na desigualdade social do nosso país. E isso influencia a infância, adolescência e vida adulta, ontem, hoje e amanhã. Eu já morei em periferia, conheço e convivo com pessoas de lá, e sei das dificuldades que elas enfrentam. A falta de lazer e de dinheiro para ir em parques e atividades culturais é recorrente. Infelizmente, para muitas famílias, até o básico é ausência. Investir em projetos de esporte, lazer e cultura para todos, contribuirá para melhorar o aprendizado e a qualidade de vida de todas as gerações.
Voltando ao vídeo dos netos, agradeci a dádiva deles morarem perto da natureza, de terem a possibilidade de brincar com segurança no quintal e na rua. Apesar de estar na lei, a presença de ações que garantam as crianças o que ela rege, está bem distante em muitos países. Guardada a gigante distinção dos cenários daqui e de lá, ver meus netos brincando na rua como minha primogênita brincou, acende minha esperança. Recordei do esforço que fiz para levar a Bruna ao teatro, biblioteca e lembro dos seus olhos brilhando com a magia da arte. Nunca vou esquecer da sua alegria ao ver as luzes de Natal. Memórias que seguem vivas.
Meu Arthur ama futebol e já foi em vários estádios. A Isa aprecia, talvez não tanto como eu, livrarias e passeios culturais e já visitou alguns ícones da capital paulista. Seguirei incentivando que eles vivam a cidade, procurem se conectar com as expressões artísticas que tanto ensinam, observar o movimento das ruas e seus personagens. Para fugir desse mundo cercado, da tela pequena do celular e vivenciar o grande telão que é a cidade. Já ouvi que eu tenho é coragem de andar com eles assim. Que eu permaneça tendo.
Há muita transformação nesse ciclo do tempo, no entanto, a alegria autêntica e o encantamento mágico que as experiências despertam, seguirá perene em muitas gerações. Oxalá que elas sejam cada vez mais presentes.

amores da vovó. Saudades
“Mãe eu recebi elogios pelos meus pequenos avanços.” Eu considero grandiosos. Ela que esteve calada na sala até bem pouco tempo, agora já se comunica. “Mãe os professores agora conhecem minha voz.”
Ela que segue tirando boas notas e tem esmero em cada atividade que executa.
Ela que fala com brilho nos olhos das aulas e professores.
Ela que tem amigos na sala (“poucos mas tenho”)
Ela que ama ler e escreve bem.
Ela que está aprendendo a lidar com seus desafios. Tão madura nos seus 13 anos.
Ela que tem potencial gigante para seguir descobrindo suas habilidades.
Ela que me orgulha tanto.
Ela, a menina do meio e amada da casa.
Cada passo seu representa uma conquista imensa filha!
Entre o mar e o céu há um infinito de possibilidades. Mergulhe, navegue e voe Isabelly. Nós te Amamos e estaremos aqui para apoiar cada passo!

Minha proximidade elementar. Menina das Águas e comunhão celeste
Das faltas que a Isa sente, a rotina escolar é uma das mais intensas que observo. Ela sempre apreciou a escola, desde bem pequena. Conversando sobre as aulas, sua turma na hora do intervalo, as expectativas dessa mudança para o FundII, como ela chama, um detalhe chamou minha atenção, ela lembrando da sua cadeira em cada uma das salas, do 5º 4º 3º e até do pré! Sua lembrança escolar é incrível! O afeto que a Isa demonstra pelo estudo é encantador.
Ela tem reclamado muito das aulas virtuais. A interação presencial faz toda diferença no aprendizado. Por mais que ela seja aplicada nesse home school, a nova rotina em casa, especificamente esse período preventivo da escola, tem cansado. “Mãe já faz mais de 3 meses que não saio de casa. Não vejo a hora de ir para escola”.
No seu quarto, que hoje ganhou a rede, escuto o som do balanço, ela está lá deitada, sentindo o vento e assistindo série. Ela tem descoberto séries de ficção científica. Sim ela gosta de ciências. No enredo do seu quarto, livros e músicas. Nesse processo de transição para a adolescência, ela segue nos surpreendendo com seu crescimento. Sinto receio, admiração, orgulho, alegria...um misto de sentimentos. Dessas coisas de mãe que sofre com as fases. E sua fase lunar é a Cheia, combinando com sua grandeza.
As estações seguem, os diálogos mudam, o formato e conteúdo. Ela tem conversado por áudio com as amigas e diz “não é a mesma coisa mãe. Sinto falta das minhas amigas.” Lembrei das risadas delas juntas, dos passeios, delas dormindo aqui em casa, ou vice e versa. Os amigos são laços sagrados e nós temos muito apreço por nossas amizades. Eu digo a Isa que os verdadeiros amigos se tornam perenes.
Nossa “sensacional” Isa, seu aniversário está chegando. Já encomendei o brigadeiro e o bolo de chocolate que você gosta. Aliás, os raros doces que ela gosta. Dessa vez não teremos a casa cheia para celebrar e sei que isso a entristece. É uma fase difícil para todos, especialmente, para pessoas sensíveis como a Isa, que guarda na memória afetiva de sua sala coração: cantos, vivências e personagens.
Que precioso ser sua mãe. Você é um presente em nossas vidas!
Das nossas saudades da quarentena. Registro 2

Que seu universo de leitura, das mais diversas formas, seja fértil
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