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Tempo maturidade do vinho

por Ivone Neto, em 26.07.23

Já escrevi no meu Blog Maternidade sobre o tempo da mãe, relatando sobre o encontro do Clube de Leitura que participei na Martins Fontes na Paulista. A corrida agenda maternal acaba por nos afastar de nós mesmas, em diferentes ciclos. No puerpério então, muitas de nós passamos por momentos de extrema solidão. À medida que os filhos crescem, acabamos priorizando a rotina de atividades das crianças. Ainda assim, iniciar esse processo de resgatar o nosso tempo é prioritário também.

Como nos colocar como prioridade? Com quem ficar os filhos para uma saída com amigas? Conseguir esse espaço para um café ou qualquer outra atividade é um desafio. Quando nos reunimos com outras mães para partilhar experiências, observo algumas semelhanças mesmo diante das diferenças do contexto de cada família. E se tem um aspecto que todas abordam com frequência é o quanto esses encontros são importantes. Muitas falam da emoção de sentir-se acolhida nesses momentos de troca.

Para muitas mães ter uma rede de apoio é apenas um sonho longínquo. Conheço algumas que tem e tantas outras que não. Já ouvi até que nossa “obrigação” é mesmo ficar em casa cuidando do lar e das necessidades das crianças: “quando eles crescerem, aí sim pode voltar a sair.” Reflita sobre o tanto que essa fala retrata. Sofremos pressão de todos os lados que nos afligem com culpas e cobranças. Desdobramo-nos em várias para tentar dar conta de tudo e não nos incluímos nesse roteiro. Até adoecermos pelo excesso. Quantas de nós gritam exaustão pelos poros?

Ando refletindo muito sobre o peso que carregamos. Falo no plural porque tenho amigas, cada uma com seu diferencial, caminhando nessa estrada árdua e aprendiz que é a maternidade e seus entrelaçamentos. Ser escuta me ensina tanto. Às vezes, nada precisamos dizer e no silêncio nos compreendemos. Em outras damos sim vozes aos nossos anseios, dores e relatos, compartilhando nossas vivências, respeitando nossas singularidades.

Contar com pessoas nas quais confiamos e comungamos afeto é uma bênção. Na maturidade vamos refinando as relações e se uma certeza, das poucas que tenho, é de que os meus laços afetivos são raros e sagrados. Gratidão Meninas pela noite de ontem, pelo vinho, risos, lágrimas, escuta, histórias, abraços e tantas sensações que não há palavras capazes de descrever. E sim, eu vou cada vez mais priorizar o tempo da proximidade dessa Mãe Maria.

E sim eu bebi o vinho e apreciei! Até a próxima taça!

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Iniciando a caminhada na maturidade do vinho

publicado às 13:20

Sobre semelhanças, diferenças, desafios e partilhas maternais

por Ivone Neto, em 12.03.22

Já escrevi aqui sobre os desafios da maternidade com base nas minhas experiências. E observo também a caminhada de outras mães. Há muitas similaridades e também muitas diferenças, pontuando que cada uma de nós vai tecendo sua história de modo único. Quando falo em semelhanças é diferente de comparação. Aliás, tenho horror às comparações carregadas de rótulos e julgamentos. Quando rotulamos restringimos a visão, quando respeitamos e nos abrimos para novas percepções somos capazes de avançar na compreensão do outro, com mais empatia e amor.

Situações semelhantes como, por exemplo, o primeiro dia do filho na creche, os primeiros dentes, a primeira formatura, as espinhas, as primeiras paqueras, passeios com amigos...Sentimentos semelhantes como culpa, medo, dúvidas, alegrias, admiração...são semelhantes sim, no entanto, nosso sentir e ação diante deles são diferenciais. O modo como eu sinto ou reajo pode ser o oposto ao de outra mãe em um mesmo acontecimento. E não quer dizer que estou certa e ela errada. Somos humanas distintas. E todas nós vamos errando, ensinando e aprendendo, num ciclo contínuo.

Sou mãe de três e em cada fase fui amadurecendo. Fui mãe cedo, aos 19 anos. Quando a Isa nasceu eu tinha 33 e o Arthur eu já tinha 37 anos. São ciclos com transformações permanentes. A mãe da Bruna não foi a mesma da Isa nem é a do Arthur e eu sou a Mãe da tríade nessa metamorfose de mudanças. Ainda hoje quando me perguntam algumas coisas sobre cólicas e outras assuntos corriqueiros eu não sei responder. Gente tem coisas que parecem foram apagadas da minha memória. Algumas estão bem vivas como o cheiro deles, a canção de ninar dos três, o jeito de mamar. Agora se me perguntarem qual remédio para cólica ou o que fazer quando está nascendo os dentes, não vou saber responder, vou recorrer a minha farmacêutica de confiança. Quando é sobre outras pautas e o que não faltam são assuntos para as mães, eu partilho minha vivência, enfatizando que não quer dizer que é o certo e que cada uma vai aprendendo no dia a dia.

Trocar experiências com outras Mães é enriquecedor. Esses dias falando sobre o cansaço de trabalhar, amamentar a noite e os demais etcs do nosso cotidiano, eu relatei que quando o meu caçula tinha 9 meses, um dia eu estava tão exausta que estava lavando a louça do jantar e as lágrimas escorria quentes em meu rosto e meu marido assustado perguntou o que estava acontecendo: “estou cansada. Chorando de cansaço.” Esse diálogo sobre o cansaço despertou outras memórias, como o processo de desmamar o Arthur. Na sequência da crise de pranto eu tive dois desmaios em uma mesma semana e vi que estava na hora de mudar, de desmamar para ter uma noite de sono reparadora. E foi o que fiz.

É preciso aceitar o seu cansaço, ouvir seu corpo, isso de ser a Mulher Maravilha que consegue dar conta de tudo é um padrão que querem nos impor. Agora estou numa outra fase, meu caçula logo completará 10 anos, meus cabelos brancos pipocam, os sinais da menopausa já acenam, preciso priorizar a saúde, os cuidados com minha qualidade de vida. Minha sensível Isa já é uma adolescente, minha primogênita já é mãe da Peaches e Damian. Sim, eu sou Avó e a nova estação já está repleta de desafios que exigem novas mudanças. Nessa caminhada sigo dialogando com as mães e agradecendo as nossas semelhanças e diferenciais nessa pluralidade que é Ser Mãe.

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meu caçula menino Arthur, energia do afeto

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minha primogênita Bruna, a enigmática Mãe dos meus netos Peaches e DamianIMG-20220206-WA0012.jpg

Minha Menina Isa, o elo sensível

publicado às 15:23

Minhas princesas

por Ivone Neto, em 23.05.11

Elas crescem e me ensinam que os ciclos são perenes.
Minha Bruna que registra em seu Blog passagens do seu coração.
Minha Isa, criança que nos ilumina.
Meus tesouros sagrados. Minhas sementes e frutos.

 

Minha menina Terra


Minha menina Água

publicado às 12:21


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