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Geração cuidado

por Ivone Neto, em 20.08.25

Cresci com os cuidados da minha mãe e do pai, em certa medida. As mães da minha família, especialmente as bem próximas, sempre tiveram uma carga maior e estou inclusa nesse enredo. Recentemente viajei para ficar um período com meu pai no hospital. Nesses dias curtos e extensos, aprendi muito sobre a finitude, fragilidade e o quanto cuidar dói. O plantão, conta gotas, contra dores, acessos, exames, prontuários, enfermeiros, alertas, médicos, visitas, os acompanhantes na sua maioria feminina, o sono irregular, a leitura, orações e tantas variáveis percorreram os dias num ritmo lento e veloz. Ter que cuidar do pai ou mãe, e aqui lembro da caminhada de 2024 com minha mãe nas consultas, exames, diagnósticos e cirurgia, aflorou uma percepção do quanto o tempo das coisas vai moldando nosso aprendizado e aflorando lições que marcam.

Os dias de plantão, as cenas que seguem nos meus sonhos e pausas silenciosas, a chegada e partida, as lágrimas nas janelas das vans, avião e no banho, seguem ecoando. Penso na minha mãe e rezo para que ela continue saudável. Sua força sempre me inspirou tanto mãe e serei eternamente grata pelo dedicação fenomenal que segue exercitando. Quanta dor já habitou em teu silêncio? Eu rezo pela restauração do meu pai, para novamente ver o brilho do seu humor e passos. Apesar dos seus erros, eu tenho tanto orgulho das tuas ações de bondade e hoje, penso na tua história e enxergo melhor tuas angústias e sofrimentos. Reflito sobre minhas próprias fraquezas e imploro a Deus que me dê saúde para cuidar deles e da minha dupla tríade. E nessa estrada de tantas demandas estabelecer meu autocuidado como prioridade é caminho.

Envelhecer traz muitos desafios e essas situações que me fez encarar medos, me trouxe também clareza de que nossas escolhas do presente terão consequências no amanhã. Cuidar da saúde hoje é plantar sementes para os frutos do agora e futuro. É difícil para muitos que mesmo tendo essa percepção, não tem as condições necessárias para cuidar de si. E tem outros que mesmo tendo consciência não adotam uma postura saudável e continuam a agir do mesmo modo. Há quem, depois de um sofrimento gritante mude radicalmente de postura e reinicia seu modo viver. Ainda que as possibilidades sejam escassas, atender as orientações médicas e tentar fazer o melhor diante do que temos é essencial porque isso é priorizar a vida.

Observar os diversos retratos do cuidado na minha família, nas minhas avós, mãe, minhas tias e primas, traz uma leitura do quanto as mulheres são sobrecarregadas e assumem esse compromisso ao longo das gerações. Nosso sim é maternal. Ser mãe e filha que cuida na história que nos enlaça tem uma força atemporal. Essa viagem de agosto foi um divisor. Todo acontecimento tem um sentido e se ele nos convoca a refletir profundamente, está sinalizando que mudanças são necessárias. Aceitar o chamado para uma nova rota exige de nós doses extras de coragem para mergulhar nas dores e renascer no fogo da esperança. Estou nessa travessia e que o amor continue sendo meu farol.

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retratos são registros do tempo de vida. Gratidão Deus.

publicado às 11:42

A Isa, o clima e o medo de hospital

por Ivone Neto, em 15.09.10

Levar a Isa ao médico é uma tarefa difícil. O acompanhamento da pediatra é fundamental, as vacinas e tudo que for relacionado à prevenção. Como estamos vivendo tempos secos às doenças respiratórias estão agravadas e as crianças sofrem com esse clima. Ontem tive que levar minha pequena ao hospital por causa da febre, tosse e descobri que também a garganta está inflamad. Ao chegar à porta já começa o choro e ela não ver o momento de voltar para casa.

É dolorido, porém, me esforço ao máximo para manter a calma porque sei que se eu ficar estressada passo essa energia para minha filha também. Lágrimas, choro, remédios, horários, febre, falta na escola... são dias nos quais precisamos nos dedicar com muito mais carinho, atenção e paciência para colaborar para que a cura aconteça o mais breve possível. São situações circunstanciais e logo a Isa voltará a correr com toda sua alegria.

A imunidade do nosso corpo se fragiliza com as condições climáticas e precisamos buscar soluções para amenizar essa situação que acontece todos os anos, principalmente no inverno que é bem mais seco que outras estações. Felizmente hoje o ar está mais frio e parece que virá uma chuva. E que maravilha que semana que vem começa a primavera para florescer um novo tempo com novas folhas e flores.


Mais adiante a Isa compreenderá melhor como lidar com esses momentos de hospital e que eles sejam sempre raros.


Ontem a noite ela estava com febre alta e sono e falava: mamãe quero ir na piscina. Logo ela vai sarar para poder brincar novamente com seu elemento!

publicado às 12:43


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