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Meu Blog Maternidade. Aqui vou registrando meu aprendizado do cotidiano de mãe. Minhas percepções, desafios, emoções, acontecimentos e sensações únicas da minha jornada maternal. Tenho duas filhas e um filho, três sementes, frutos, presentes AMOR
Cresci com os cuidados da minha mãe e do pai, em certa medida. As mães da minha família, especialmente as bem próximas, sempre tiveram uma carga maior e estou inclusa nesse enredo. Recentemente viajei para ficar um período com meu pai no hospital. Nesses dias curtos e extensos, aprendi muito sobre a finitude, fragilidade e o quanto cuidar dói. O plantão, conta gotas, contra dores, acessos, exames, prontuários, enfermeiros, alertas, médicos, visitas, os acompanhantes na sua maioria feminina, o sono irregular, a leitura, orações e tantas variáveis percorreram os dias num ritmo lento e veloz. Ter que cuidar do pai ou mãe, e aqui lembro da caminhada de 2024 com minha mãe nas consultas, exames, diagnósticos e cirurgia, aflorou uma percepção do quanto o tempo das coisas vai moldando nosso aprendizado e aflorando lições que marcam.
Os dias de plantão, as cenas que seguem nos meus sonhos e pausas silenciosas, a chegada e partida, as lágrimas nas janelas das vans, avião e no banho, seguem ecoando. Penso na minha mãe e rezo para que ela continue saudável. Sua força sempre me inspirou tanto mãe e serei eternamente grata pelo dedicação fenomenal que segue exercitando. Quanta dor já habitou em teu silêncio? Eu rezo pela restauração do meu pai, para novamente ver o brilho do seu humor e passos. Apesar dos seus erros, eu tenho tanto orgulho das tuas ações de bondade e hoje, penso na tua história e enxergo melhor tuas angústias e sofrimentos. Reflito sobre minhas próprias fraquezas e imploro a Deus que me dê saúde para cuidar deles e da minha dupla tríade. E nessa estrada de tantas demandas estabelecer meu autocuidado como prioridade é caminho.
Envelhecer traz muitos desafios e essas situações que me fez encarar medos, me trouxe também clareza de que nossas escolhas do presente terão consequências no amanhã. Cuidar da saúde hoje é plantar sementes para os frutos do agora e futuro. É difícil para muitos que mesmo tendo essa percepção, não tem as condições necessárias para cuidar de si. E tem outros que mesmo tendo consciência não adotam uma postura saudável e continuam a agir do mesmo modo. Há quem, depois de um sofrimento gritante mude radicalmente de postura e reinicia seu modo viver. Ainda que as possibilidades sejam escassas, atender as orientações médicas e tentar fazer o melhor diante do que temos é essencial porque isso é priorizar a vida.
Observar os diversos retratos do cuidado na minha família, nas minhas avós, mãe, minhas tias e primas, traz uma leitura do quanto as mulheres são sobrecarregadas e assumem esse compromisso ao longo das gerações. Nosso sim é maternal. Ser mãe e filha que cuida na história que nos enlaça tem uma força atemporal. Essa viagem de agosto foi um divisor. Todo acontecimento tem um sentido e se ele nos convoca a refletir profundamente, está sinalizando que mudanças são necessárias. Aceitar o chamado para uma nova rota exige de nós doses extras de coragem para mergulhar nas dores e renascer no fogo da esperança. Estou nessa travessia e que o amor continue sendo meu farol.

retratos são registros do tempo de vida. Gratidão Deus.
A morte costuma assombrar os viventes. Muitos não ousam falar seu nome e penso que deveríamos ao menos tentar encarar de outra forma, afinal, ele está presente embora represente a ausência. Quando alguém próximo morre um silêncio profundo se acomoda em meus sentidos. Até uma palavra de conforto é difícil pronunciar porque quem a ouve sequer pode escutar nesse momento. Já me peguei em velórios observando as cenas dos abraços e refletindo sobre como esses abraços não existiram no passado da pessoa que está ali no caixão. Disseram-me que passa um filme em nosso momento de partida e fico pensando nos personagens que habitam essa despedida.
A despedida é também de quem fica ainda por um tempo que não temos como estimar. A morte está conosco agora, nesse instante, porque morrer e viver estão entrelaçados. O corpo que vira cinzas ou que vai para debaixo da terra é uma matéria morta que nos chama a olhar para nossa passagem efêmera. Ainda assim tem muito de eterno na morte porque quem vai fica vivo palpitando na saudade dos nossos passos. Tenho tanto dos meus avôs e avó em meu cotidiano. Do riso solto de padrinho-avô, dos cuidados e orações de minha madrinha-avó e dizem que a sensibilidade de vozinho faz morada em minhas ações. Oxalá que sim e que esses retratos se perpetuem nas próximas gerações.
Falar sobre a morte com as crianças é difícil. Ao ver minha tristeza pela morte da Rita Lee, o meu caçula Arthur me abraçou e eu disse que todos nós chegaremos nessa hora. Ele reagiu como a primogênita dizendo que isso não vai acontecer nunca. Não consegui alongar o diálogo, porém sinto que é necessário retomar essa pauta com frequência para ir preparando esse terreno árido que também pode se tornar fértil. Como fertilizar a aridez da morte? É um desafio que me proponho a exercitar, iniciando pelo que a “perda” dos meus avós significou.
Sempre ouvi: perdi minha avó (ou outro ente querido). O eco da palavra perda evidenciando a dor extrema que sentimos. Um pesar de toneladas que cansa nossa estrutura. Até os ossos doem, os músculos inflamam. Sintomas do luto que cada um passa de um jeito e vai moldando os dias até irem suavizando aos poucos. Há quem diga que a ferida segue sangrando para sempre e eu imagino que sim. As minhas seguem cicatrizando. Como fazer essa abordagem da perda que é tão dolorida? Não há receita mágica para lidar com a morte, mas se apenas evitarmos o assunto vamos criando uma visão hostil do que é uma realidade da existência.
Observar a morte como um personagem pode ser uma maneira de trazer certa leveza para facilitar a conversa. O cinema pode ser uma fonte, assim como a literatura. Pensei na Morte do Gato de Botas, no recentemente filme que assistimos em que o menino perdeu o pai, no poema A morte absoluta de Manuel Bandeira que a Isabelly leu por ocasião de uma atividade escolar e fui relembrando outros filmes e livros ...contar minha própria experiência com as mortes dos meus avós...e aproveitar melhor as oportunidades para dialogarmos sobre essa passagem perene da vida. Será uma forma de fertilizar a aridez? Tentarei...
A morte é o fim? Ou pode ser também um começo?

sou estrada de saudades no ciclo morte e vida
Quem já passou por uma situação de forte estresse e percebeu alteração em sua saúde? Aposto que muitas pessoas. Dor de cabeça, nas costas, no estômago e outras queixas são algumas delas. Embora sejam sintomas similares, cada um sabe aquilo que sente e os sinais do corpo soam como alertas. O que posso afirmar é que, seja um acontecimento pontual ou uma sequência de situações estressantes que vão se acumulando, os danos à saúde afetam a qualidade de vida. Digo isso por experiência própria, pelo histórico da úlcera severa que já tive, pelas pedras nos rins somatizadas, pela taquicardia e etccccc.
Claro que alguns acontecimentos fogem da nossa alçada, é a forma como aprendemos a lidar com eles que fará diferença. Procurar auxílio para enfrentar esses momentos é fundamental. É tão cruel ouvir que sua dor é sinal de fraqueza e, infelizmente, é comum essa fala: “você precisa reagir, ser forte.”
Quem determinou que precisamos ser fortes o tempo todo?
Até quando vamos permitir que a pressão de tantas demandas nos sufoquem?
Até quando vamos seguir relevando aquilo que internamente nos incomoda?
Quando iremos ter a coragem de finalizar ciclos?
Quando teremos a coragem de implementar aquela mudança tão sonhada?
Essas questões e tantas outras pipocam no universo de muitas mulheres. As cobranças se agigantam por todos os lados. E precisamos estar atentas para não se deixar enjaular pelos padrões ditados de tantas formas pela sociedade. E olha que até a jaula pode ser padronizada, embora seja muito mais algoz a violência para algumas mulheres, pauta para tantos debates cotidianos.
Ouça você, soa a voz da brisa maresia em meus sonhos. Escute seus sinais. Reservar um tempo para si não é pecado. E até a culpa para isso as vezes surge em roda de conversas. É impressionante a carga de cobranças em cima das mulheres.
Se trabalha fora sente-se culpada por não dedicar tanto tempo aos filhos
Se fica em casa com as crianças e se desdobra nas atividades do lar, ainda costuma escutar a frase: ”você tem tempo para fazer as coisas porque não trabalha.” Como não???
Se decidiu tirar um tempo para si e família também escuta: “vai ficar defasada do mercado e terá dificuldade de retornar.”
Se tem 1 filho escuta aquela frase carregada de maldição: “quem tem 1 não tem nenhum”. Gente eu já ouvi isso quando tinha apenas minha filha primogênita.
Se não tem filho por escolha própria vive sendo indagada: “quando vai ter filho? Já passou da hora, vai ficar velha para engravidar”
Cortar vínculos é libertador. Mais uma vez digo por experiência própria. Ter contato com a parte da família que presta porque a parte que não presta tem e em todas que conheço. E isso vale para outros relacionamentos também.
Gente é tanta cobrança e preconceito aparentes e outros nas entrelinhas. Ligar o Foda-se de vez em quando é necessário. Tanto quanto procurar ajuda para alinhar a energia dos chakras, corpo, mente e espírito. É um caminho e cada passo é relevante. É preciso acolher a si mesmo e respeitar seus limites. Estou nesta caminhada e tenho tido uma colaboração preciosa da AW7 Bem-estar. É por isso que indico confiante a profissional Alessandra Francini Weimer de Godoi. Aliás, deixo aqui o serviço com seu telefone (11) 98141-2146.

Ao querer abraçar o mundo devemos lembrar de nos abraçar também.
A jornada maternal é múltipla e, ao mesmo, única para cada mãe. Há muitos dilemas na maternidade, alguns até semelhantes, e ainda assim cada mãe sente, sofre e sorri, do seu jeito. Tem muitas alegrias. E também muitas dores. Entre esses extremos vamos aprendendo. Se tem um adjetivo contínuo nessa caminhada, é esse: aprendiz. Todos os dias dá para filtrar algum tipo de aprendizado.
Quando falo que é dolorido isso pode refletir muitos acontecimentos, sentimentos e fases. Das coisas mais simples do cotidiano até as mais complicadas. Pensei aqui no cansaço. Quantas vezes chorei de cansaço no banho, depois de uma rotina brava? Trabalho, jantar, casa, lição e no relaxamento do banho desaguei em choro. Talvez um alívio da tensão. E nos dias frios que enfrentei hospital com a Isa com crise de asma. Quantas vezes cheguei na madrugada e depois tive que levantar cedo para ir trabalhar!
Esta semana mesmo, na madrugada de domingo, fui surpreendida com o Arthur. Logo ele de sono longo, que demora a acordar pela manhã, acordou no meio da noite com uma coceira que durou muito mais do que eu podia imaginar. Havia um caroço no local, passei pomada, dei antialérgico e nada de passar. Ele ficou inquieto, não conseguia dormir, quis ir para sala assistir tv, deu sede, fome e as horas avançavam. Mãe isso, mãe aquilo, e eu ali, entre cochilos e aconchegos. Nessa ficamos das 1:30 até às 4:30. A hora que já levanto de segunda a sexta. Eis que ele adormeceu. E eu segui para o café, mochilas e tive que acordá-lo às 6:00 para se arrumar para a escola. E trabalhei todo dia com um sono pesado e a produtividade em baixa.
Eu poderia ilustrar outras cenas, com três filhos, tenho um repertório bem diversificado. Há muitas cobranças para que as mães sejam “perfeitas” e dê conta de tudo. Tem que ser assim, assado. Isso é impossível! Eu digo que não existe fórmula, o cardápio é distinto e cada receita maternal será diferencial por natureza. É um processo transformador. E que sim, é dolorido. Não imagine que ser mãe é apenas um mar com céu azul. E também não fique preocupada com os trovões. Quando a tempestade surgir é que você aprenderá a atravessar.
E sem tem uma escolha que fiz ultimamente, que tem surtido um efeito positivo, foi definir um tempo só meu, para meu cuidado, estudo, sim voltei a estudar e participar de clube de leitura. Se estou bem comigo, isso se reflete em muitos aspectos, inclusive em uma melhor versão da Mãe que vou me tornando.
Sou mãe e também avó. A geração que segue...
E que felicidade vê-la novamente correr pela casa e sorrir. Está sarando. Seu olhar já está mais brilhante, seu sorriso amplo, sua alegria com os brinquedos e sua energia contagiante indicam que a luz do seu Sol está radiante para a vida.
E termino a semana agradecendo a bênção da saúde.
Iluminada Isa cercada de amor e cuidados. Amém!
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