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O trânsito na manhã

por Ivone Neto, em 08.03.16

O trecho é curto. De 6 a 8 km no máximo. Torna-se longo pelo trânsito. Muitas pessoas saindo de casa no mesmo horário. Ando pensando seriamente em mudar essa logística. Vamos por um caminho alternativo ao principal, pelo bairro, observando da janela o movimento da manhã, ponto de ônibus cheio, Butantã, Pinheiros, Barra Funda, Alphaville, Centro Osasco, Vila Yara. Uns vão ao trabalho, outros estudar, e tantos outros compromissos. Escolas no caminho, mães, crianças, adolescentes, cachorros, mochilas. As motos seguem. O Arthur diz: “mãe quero andar na moto vermelha.” A Isa começa a cantar e o som das risadas inunda meu coração. O Arthur vibra porque passou cachorro do lado dele do carro (sim, rola umas brigas pelo lado do carro dependendo do cenário).  Toca uma música no rádio. Isa diz: que música feia. Arthur já começa dançar. Depois é o momento das caretas e eu entro na dança também. Tem que participar da vida.

O Pai, que está gripado, segue dirigindo, com aquele ar de “poucos amigos”, quando tosse ou espirra faz uma cara que assusta qualquer mortal. Ou, como diz minha amiga Carla, citando seu marido quando está simplesmente gripado “parece que está em estado terminal”. Gente, ninguém merece marido doente! A Bruna com seu fone de ouvido, escuta suas canções e segue contemplando o céu. De vez em quando as crianças a cutucam e ela responde com um sorriso. Vejo uma borboleta azul brincando nas flores amarelas e lembro de uma que vi no sítio.

 

Chegamos à primeira parada, escola do Arthur e ele desce animado, sorridente, cheio de energia. Depois casa tia Lane deixar a Isa que já chegou mostrando o tênis novo que comprou na promoção (só estava com um). “Mãe quando suja um tem que ter outro para usar”. Sim, seu argumento me convenceu e a vó Fátima foi com ela ontem comprar outro. Nem sempre dá pra lavar e secar rápido. Abraço apertado e até o final do dia. Até que enfim trabalho. Hoje demoramos 40 minutos.

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publicado às 11:28

Tríade sagrada

por Ivone Neto, em 17.11.15

É assim que chamo meus filhos. Sou mãe de 2 meninas e 1 menino. Tudo bem que a primeira primogênita já é uma mulher, mas, sempre será aquela menina de olhar profundo e sorriso aberto que adorava dormir no meu colo. Aliás, dormir é quase sinônimo dela.  Ela é aquela aventureira que adora viajar e que sente saudade do cheiro do café da mãe. Tem raízes e asas entrelaçadas, é enigmática por essência.  A segunda, a planejada, a do meio, é minha menina das águas, ágil, inteligente, ama com intensidade, ela tem uma sensibilidade aflorada, tem gosto por miudezas e uma proximidade tão ampla com quem toca seu coração que, ao mesmo tempo em que impressiona por tamanho amor, assusta quando por segundos pensamos em certas ausências e mudanças que farão, inevitavelmente, parte da sua caminhada. O terceiro é o menino mais alegre que eu tenha notícia, com energia vital que contagia, seu olhar brilha como fogo de luz, por onde passa vai deixando sua estrela cativante inundar os ambientes, e tem o cafuné mais carinhoso do mundo. Ele veio para sacudir meu cotidiano e fazer com que eu arranque forças do além.  Cada um com sua beleza, seu ritmo e seus passos. Que eu possa ter a graça de continuar acompanhando com muita alegria e aprendizado essa jornada maternal.

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Minha tríade sagrada 

publicado às 13:01

Mãe porque o Arthur recebe mais atenção que eu?

por Ivone Neto, em 05.10.15

Cenário: Isa em seu quarto brincando sozinha. Arthur assistindo desenho na sala ao lado da mamãe no sofá. Hora do dengo, do sono, do cafuné. De repente desce minha magrela, chega perto e indaga: mãe porque o Artur recebe mais atenção que eu?

Confesso que seu questionamento me pegou desprevenida. Coloquei-a no meu colo e expliquei que ele é menor e por isso demanda ainda mais cuidados como ajudar a escovar os dentes, ir ao banheiro, ainda toma mamadeira e etc. Ela só me abraçou e disse: “tá bom mãe, vou lá brincar, depois você vai no meu quarto?”

Alguns dias ela dorme primeiro que ele e tenho perdido esse tempo da leitura, esse momento de ficar um pouco com ela em seu quarto para conversar e brincar. Quando a própria Isa percebe que o sono está vindo forte me chama: “mãe vem rezar comigo, já vou dormir”. O Santo Anjo do Senhor é sagrado todas as noites. Eu rezo e ela também.

Depois de sua pergunta tão incisiva tenho procurado deixar o Arthur na sala com o pai e ir até seu quarto antes do sono profundo, ou de trazer a Isa até meu quarto e ficar com ela ao lado, no colo, brincando, lendo, inventando estórias ou até cantando sua canção de ninar, até ela começar cochilar e eu a conduzi-la até seu aconchego.

Não é tarefa fácil equilibrar o tempo dedicado para cada filho. Nem sempre consigo, mas continuo tentando. Tem dias que eu também só queria ter uns 30 minutos só meu.tododiaediadeler.jpg

publicado às 19:52

Filhos únicos

por Ivone Neto, em 28.07.15

Cada pessoa é única. Esse diferencial é sagrado. Quando temos filhos acompanhamos de perto essa marca da diversidade no cotidiano e, claro, observamos também as semelhanças. Traços físicos, por exemplo, como o formato das mãos e pés.  O modo como cada um caminha pela vida os diferenciam, a forma como cada filho lida com as situações também é distinta. Até o jeito de acordar difere. Isa acorda cedo, sorrindo.  Arthur acorda dengoso, chorando, salvo raras exceções.  Já a Bruna acorda querendo não levantar, sua cama tem certa magia.

A Isa faz muita amizade, é querida da sua turma da escola, embora tenha certa timidez em algumas ocasiões. Tem suas chatices também e quem a conquista ganha seu coração por toda vida, o contrário também. Seu abraço é especial, uma onda de carinho. Menina das águas que navega no mar da sensibilidade.

Bruna tem humor para rir com seus raros amigos e conserva algum silêncio e distância quando não se sente segura. Ela tem uma beleza especial que vai além, coisa de quem tem Vênus expansiva em sua essência e sede de aprendizado.  Tão enigmática como sua Lua, raízes e asas.


Arthur já é espontâneo, autêntico, conversa com todos, abraça com leveza, tem humor refinado para sorrir com abundância (embora acorde “enjoado” é momentâneo), passa das lágrimas para gargalhadas em instantes, sua energia é vibrante para brincar e encantar.  É mesmo menino Fogo!


Tão intenso perceber meus traços neles e saber que cada um tem um pouco dessa mistura que somos. É uma costura colorida como a colcha de retalhos de minha infância, tão lindos quanto o céu enluarado do sertão, tão imensos como a vastidão do mar, tão férteis como os campos de girassóis e tão infinitos como o AMOR.

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Minha geração. Meu legado. Minha tríade sagrada.  

publicado às 14:21

Cotidiano mãe

por Ivone Neto, em 22.05.15


Essa semana descrevi as primeiras horas da minha manhã. Escrever -  mesmo que de forma rápida - esses passos dos primeiros momentos do dia me fez refletir sobre quanto nós mães fazemos em um curto espaço de tempo. Alimentação, arrumação, escola, locomoção, trabalho e o terceiro tempo com jantar, banho, lição e etcs, transforma nosso dia em um emaranhado de tarefas.  É realmente um desafio organizar tudo e entre tropeços e acertos eu vou tentando fazer o melhor.  Tem dias que esqueço isso, noutro aquilo e vou dando um jeito aqui e acolá para ir encaixando o essencial.

Cada família tem seu ritmo, a minha demanda muita energia no meu cotidiano. Entre alegrias, choros, surpresas e adversidades, vamos caminhando.

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Minha tríade sagrada

 

Quinta-feira, 21/05: Primeiras horas manhã:

4:00 acordar mamadeira Arthur. 6:00 levantar preparar café, arrumar mochilas e uniformes escola, Isa acorda e pede alimento, banana, suco. E ajudar lição. Estender a roupa da máquina, tentar encontrar 1 par de meia, ufa preciso ir ao banheiro, vestir, coloco calça, acorda Arthur. Preparar mamadeira, colocar uniforme nele e que exercício, coloco uma perna, ele sai pulando, coloco outra, até que consigo tudo e vamos escovar dentes. Volto para tentar me arrumar, blusa, pentear cabelo, passar protetor solar. Ah...falta o lanche da Isa, vamos pegar.  Vamos Arthur, ah não já está só de meia. Encontrar tênis, colocar. Bruna chama: vamos elevador cegou. Segura que vou colocar meu sapato. Até que enfim todos no elevador para primeira fase do dia. 7:50 manhã.


Sexta-feira, 22/05
5:15 levanto. Vou direto tomar meu remédio da tireoide. Olho a louça do jantar na pia. E vamos lá limpar a pia. Louça lavada, tomo meu limão matinal e preparo o café. Vou ao banheiro antes de alguém acordar. Volto para cozinha e já ouço resmungos no quarto. Preparo rápido mamadeira do Arthur que acordou. Olho o relógio, 6:00, deito uns 5 minutos com ele que faz cafuné em meu cabelo. Hoje ele acordou de excelente humor. A Isa entra no quarto para o chamego dela, abraço, cheiro. E vamos todos pra sala. Hora dela se alimentar, banana e suco. Preparo o Arthur, as mochilas dos dois, e os dois escovam os dentes brigando por espaço no banheiro pequeno. E lá eu vou eu me arrumar e procurar a carteira de vacinação do Arthur. Hoje ele não escapa da vacina. Termino de me arrumar e eis que encontro a carteira. Ufa! Na hora de sair Arthur diz? Quero fazer cocô! Volta tudo...

publicado às 20:13

Lembranças e esquecimentos maternais

por Ivone Neto, em 25.09.12

Agradeço pela luminosidade no horizonte percebida pela Isa na manhã e descrita de modo tão especial. Minha criança observadora que capta os sinais do dia como graça. Ontem, conversando com um fornecedor, falávamos de como é SIM TRABALHOSO ter filhos porque exige de nós a coragem de assumir uma responsabilidade grandiosa, mas, sem dúvida é o meu melhor presente. Esses momentos eternos toca meu coração com uma gratidão fenomenal. No fim, do que você recorda não são das noites em claro, de dormir sentada com o bebê no colo, das lágrimas...absolutamente NÃO.

Esses dias meu marido me questionou sobre uma pergunta que fiz sobre o bebê: Nossa está no 3o filho e tem dúvidas, não lembra mais? Disse em tom de brincadeira porque são coisas da jornada dos bebês e eu já passei por isso...mas sinceramente certos detalhes doloridos dessa fase de dentes, cólicas e outras, eu passei a borracha. Sim, eu tenho muitas dúvidas e continuarei a tê-las.

 

Da Bruna Coriolano Mourão minha primogênita que já tem 18 anos e está aperfeiçoando suas asas, lembro mesmo é dos seus pés correndo pela calçada, da sua imaginação fértil brincando de ser mestre e dos seus alunos divertidos que aguentavam suas deliciosas loucuras infantis, dela se lambuzando na areia da praia inventando castelos, de quando perdeu o medo das ondas, do seu sorriso amplo, das suas participações no teatro...

 

Da Isa me lembro dos seus bicos graciosos, dos seus pés caindo e levantando, de sua expressão de vou tentar de novo, das suas mãos folheando livros, das falas surpresas, do seu abraço mais apertado do mundo, do seu canto na escola, da sua concentração máxima nas brincadeiras, do sua alegria na água, do seu sono anjo, do seu olhar quando a encontro na escola e de tantas coisas mais...

 

Com o Arthur é tudo novo porque cada filho é único e cada experiência, mesmo que já tenhamos bagagem valiosa, é uma nova oportunidade. Sim, continuarei tendo MUITAS dúvidas e questionando aqui e ali vou seguindo...

publicado às 12:31

Cada gravidez é única

por Ivone Neto, em 11.02.12

Fases diferentes, situações opostas, gravidez distintas. Estou no 7º mês da minha 3ª terceira gestação e quantas surpresas nesse ciclo maternal. No começo os muitos enjoos me deixaram aflita. Sim, fiquei irritada com tanto vômito, digo até que fiquei azeda. Felizmente passou, tormentos passageiros que nos ensinam que o perene é muito mais valioso e que enfrentar os desafios é necessário para avançar. Tudo seguiu tranquilo até a pneumonia. O som e as dores da tosse incomodam muito. Um turbilhão acontecendo ao meu redor e meu corpo deu sinais de que é preciso ter um cuidado maior e não protelar ações para evitar danos maiores. Mais uma etapa vencida com aprendizado dolorido.


Meu filho Arthur está ativo em meu ventre, ele movimenta e eu sinto sua presença tão firme. Ele irá inaugurar um novo ciclo em minha jornada e agradeço por esse presente especial que eu amo tão intensamente que não há palavras que possam descrever a imensidão do amor. É meu laço azul menino que renova minha esperança de que a vida é criativa por essência e que nossa natureza é integrada ao universo da criação de forma sagrada.


Nessas semanas finais quero relaxar, meditar e me concentrar para o parto com tranquilidade. Preciso organizar o chá de bebê, comprar o enxoval do Arthur, arrumar seu canto e aguardar sua chegada com muita esperança e amor. Ele nascerá em abril, nos bons ventos do outono, no mês que minha filha Bruna completará 18 anos. A Isa que em julho fará 4 anos também está empolgada com seu irmão. O pai está acompanhando o processo e sei que apesar da grande mudança que irá representar, está feliz com seu filho.

Minha última gravidez ficará registrada na minha memória coração. Meu filho Arthur será recebido com muito AMOR.

Mamãe Maria Ivone!

publicado às 08:13


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