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Um resumo da semana e outras vivências da quarentena

por Ivone Neto, em 19.06.20

No trabalho: ótimas notícias de clientes que se curaram da Covid-19 e estão reabrindo suas oficinas, retomando as obras e outros voltando pra estrada. Viva!
Essa semana apareceu um aqui querendo tirar vantagem. Exigindo garantia de peça que não fizemos o serviço. Com toda grossura possível. E foi atendido com toda educação, e mostramos as evidências de que aqui não foi feito o serviço. Vai exigir garantia de onde fez, aqui não. “Caiu do cavalo”

Em casa:
Isa segue com as “chatas e improdutivas”, na sua fala, aulas virtuais. E brava com a quantidade de trabalhos para o curto espaço de tempo. É coisa demais e aprendizado de menos. Nada como a interação presencial. Fora isso, a falta das amigas dói. As séries e os livros tem sido as companhias.


Arthur nem faz as aulas virtuais. Sigo com ele fazendo as atividades propostas do sistema, a noite e no fim de semana. É tenso em alguns momentos, alegres em outros. É um lápis na mão e o chinelo no outro. E muitos abraços e cheiros quando findamos as páginas.

A pressão é grande nesses tempos de pandemia em distintos aspectos, o cansaço é maior. Eu tenho dormido cedo e acordado com o primeiro canto do galo. Para piorar meu dente que eu ia iniciar o canal em março e cancelei as consultas por conta do Covid-19 anda latejando que só a gota. Ah e tenho os livros na minha cabeceira que ando lendo (meus bálsamos). Nesse período Angela Davis, Cidinha da Silva, Eliane Brum, Pilar Bu, são alguns dos livros já lidos. De vez em quando rabisco no cadernos cartas que vou enviar e digito rascunhos como este. Escrever é uma terapia.

Meu marido anda saudoso dos amigos, da cerveja, do canto, das risadas e todas as nuances dos encontros. São 100 dias sem cerveja. E, mesmo diante da sofrência, ele segue com sua incrível inteligência e força de trabalho, e, claro, seu sensacional humor. E reclama de meus mandados, montar uma coisa, me ajudar em outra, só não de regar o jardim. Quando eu o chamo já diz logo: “ai minha Santinha lá vem ela”. Sim até que ele tem sido paciente. Eu ando mais chata que de costume.

Na política: Um Viva com fogos juninos para a prisão do Queiroz, a derrocada do sinistro da educação, um dos mais deseducados que já vi, pro silêncio dos robôs milicianos no Twitter. Ah e descobri que faz parte da defesa hospedar o réu. Eita que esse Brasil não é para amadores viu!

Como eternizou o adorável Boechat: “toca o barco” que a quarentena segue. E haja músculo se for a vela que as tempestades não tão pra brincadeira!

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É pro mar que vou depois da quarentena. Oh saudades com cheiro de maresia

publicado às 14:15

O lugar na sala da saudade

por Ivone Neto, em 13.06.20

Das faltas que a Isa sente, a rotina escolar é uma das mais intensas que observo. Ela sempre apreciou a escola, desde bem pequena. Conversando sobre as aulas, sua turma na hora do intervalo, as expectativas dessa mudança para o FundII, como ela chama, um detalhe chamou minha atenção, ela lembrando da sua cadeira em cada uma das salas, do 5º 4º 3º e até do pré! Sua lembrança escolar é incrível! O afeto que a Isa demonstra pelo estudo é encantador.

Ela tem reclamado muito das aulas virtuais. A interação presencial faz toda diferença no aprendizado. Por mais que ela seja aplicada nesse home school, a nova rotina em casa, especificamente esse período preventivo da escola, tem cansado. “Mãe já faz mais de 3 meses que não saio de casa. Não vejo a hora de ir para escola”.

No seu quarto, que hoje ganhou a rede, escuto o som do balanço, ela está lá deitada, sentindo o vento e assistindo série. Ela tem descoberto séries de ficção científica. Sim ela gosta de ciências. No enredo do seu quarto, livros e músicas. Nesse processo de transição para a adolescência, ela segue nos surpreendendo com seu crescimento. Sinto receio, admiração, orgulho, alegria...um misto de sentimentos. Dessas coisas de mãe que sofre com as fases. E sua fase lunar é a Cheia, combinando com sua grandeza. 

As estações seguem, os diálogos mudam, o formato e conteúdo. Ela tem conversado por áudio com as amigas e diz “não é a mesma coisa mãe. Sinto falta das minhas amigas.” Lembrei das risadas delas juntas, dos passeios, delas dormindo aqui em casa, ou vice e versa. Os amigos são laços sagrados e nós temos muito apreço por nossas amizades. Eu digo a Isa que os verdadeiros amigos se tornam perenes.

Nossa “sensacional” Isa, seu aniversário está chegando. Já encomendei o brigadeiro e o bolo de chocolate que você gosta. Aliás, os raros doces que ela gosta. Dessa vez não teremos a casa cheia para celebrar e sei que isso a entristece. É uma fase difícil para todos, especialmente, para pessoas sensíveis como a Isa, que guarda na memória afetiva de sua sala coração: cantos, vivências e personagens.

Que precioso ser sua mãe. Você é um presente em nossas vidas! 
Das nossas saudades da quarentena. Registro 2

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Que seu universo de leitura, das mais diversas formas, seja fértil

publicado às 23:20

As ausências contadas

por Ivone Neto, em 07.06.20

Esse sábado foi o 13º sem churrasco. Contou meu marido em frente ao calendário as datas dos últimos fins de semana. Sua voz carregada de ausência dos churras cheios de alegria, canto, risadas e partilhas, que marcam nossos laços amigos. E temos um repertório de muitos com essa turma tão especial.

No quintal, na hora do Sol matinal do sábado, ele contempla seu canto. Sua expressão silenciosa diz tanto. Eu brinco falando de sua saudade e ele responde, com seu humor que tanto amo: “a churrasqueira está até com teia de aranha e tem mais cerveja perto de vencer.” Eu respondo: Eh vai ter que doar novamente (recentemente fizemos doação das que venceriam em maio. Foram bem aproveitadas). Rimos sobre essa possibilidade real de doar as cervejas que vencem no final de junho.

Meu marido não bebe sozinho, nunca bebeu. Gosta mesmo é de compartilhar presença, como ele diz: “ao vivo e a cores”. Nada de lives. Esses dias ele comentou que os amigos andam bebendo, não aguentam. Pergunto se ele quer ir. Ele diz que não, que só irá quando for possível. Eu tenho um orgulho imenso de sua postura. Apesar da falta que sente, ele tem sido firme na quarentena. Só saímos para trabalhar já que atendemos serviço essencial e para comprar mantimentos.

Sei que ele não vê a hora de acordar num sábado de sol e ajeitar tudo para receber os amigos. Eu torço com todo fervor para que isso aconteça o mais breve possível. Para vê-lo cantar a pleno pulmões a alegria dos encontros.

Das nossas saudades da quarentena. Registro 1102961919_3884122358265316_3358891187409623176_n.j

O pai no nosso canto do churrasco

 

publicado às 19:14

As crianças e a quarentena

por Ivone Neto, em 05.04.20

É difícil o confinamento para as crianças. Tão afetuosos que são, adoram companhia, brincar ao ar livre e estar junto dos amigos. Sempre perguntam quando poderão ver aquele ou aquela amiga, que dia vão passear e quando as aulas voltarão, os churrascos, os passeios...

Isa sente muita falta da escola, da sala de aula, do barulho do intervalo, das brincadeiras, das explicações dos professores e de toda rotina escolar. Ela tem conseguido acompanhar as aulas virtuais. Não aprecia esse formato. Sente falta da interação. E até chora quando começa a falar das aulas.

Arthur não consegue acompanhar a aula virtual, prender a atenção dele é complicado. Como ele fica integral e isso é cansativo, a saudade que ele sente são de aulas pontuais como a de educação física, de música e de brincar com os amigos. Tenho feito com ele as atividades dos livros indicadas pela plataforma.

Cheio de energia, Arthur sente muita falta de jogar futebol, andar de bicicleta e poder brincar com os amigos vizinhos. Isa já sente ausência de receber as amigas aqui em casa e de ir passear com elas. Esse período de isolamento revela também o quanto é importante a presença e reforça, até pela dolorida saudade, os laços da família e amigos que eles sentem falta.

“Brincar sozinha não tem muita graça.”
“Que saudade da escola mãe”
“Que dia vou ver meu amigo?”
“Quando vou poder sair de casa?”

Frases que ainda não temos resposta. Não tem data definida. Só fazer nossa parte e esperar que o resultado do distanciamento seja positivo para diminuir o número de infectados. E que Deus nos abençoe nessa travessia. Amém!

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os primos juntos na casa da tia Lane

 

publicado às 16:30

retrato saudade

por Ivone Neto, em 21.11.19

Dias ligeiros, dias longos
Extremidades do tempo
cruzando o continente das emoções
navegando nos roteiros dos laços
voando nas constelações do Amor
que expande todos os caminhos
E no meu particular, eu vou andando
e construindo minha velha nova estrada
com retratos de saudade, saudade, saudadesss...

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cenário e passos da minha história

 

publicado às 12:51

O chão dos sentidos e o céu da memória

por Ivone Neto, em 15.08.19

Arthur adora deitar no chão para brincar. O jeito que ele deita lembra muito meu pai. E também meu avô padrinho. E diz meu marido, que também lembra muito seu pai, o avô Raimundo que chamava o Arthur de “menino do vô”. É sublime presenciar essa riqueza dos traços que herdamos presente em nossos filhos.
Meu caçula tem uma memória afetiva preciosa. Esses dias mostrei a foto do meu pai, seu avô João, que eu tinha recebido do meu irmão que foi visitá-lo no Dia dos Pais. Arthur disse sorrindo ao ver a imagem: “saudade do vô. Mãe o “Radi” ainda mora na casa do vô? Que dia vamos lá?” O Radi, que não sei se escreve assim é o carocho vira-lata que ele viu há 3 anos. E respondi que vamos programar viajar para ver o vô João. Ando com saudades do sertão. O retrato de pai, seu avô, e a conversa, aflorou as lembranças do meu menino. No Uber, ao meu lado, ele olhou o céu e emendou: “Mãe e o Vô Raimundo? Sinto falta do cheiro esfarelado dele. Será que hoje a noite eu vou ver a estrela do vô no céu?” E começou a chorar. Eu o ajeitei em meu abraço e quando descemos do carro ele ficou olhando o céu nublado. Eu disse: Filho, a estrela está lá, só que encoberta pelas nuvens. Amanhã o tempo melhora e vamos observar a estrela brilhando pra você. Ele sorriu e disse. O céu está triste hoje.
Entramos em casa. Depois do seu banho eu ajudei a colocar o pijama, rezei, como de costume, nossa oração e ele logo adormeceu. Hoje tem Lua Cheia no céu e espero que o céu de inverno nos presentei com estrelas cintilantes para ele indicar qual é seu avô.

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publicado às 20:38

As roupas e os traços da Bruna na Isa

por Ivone Neto, em 14.08.19

Essa blusa que ela está usando foi da Bruna. A Isa está crescendo e selecionou alguns itens de roupas da irmã que eu não deveria doar, para ela usar no futuro. O guarda roupa quase vazio, retrato de desapego. É que tenho também minhas agonias, e uma delas é ver coisas paradas, sem uso. A energia precisa circular. O presente que foi o futuro cogitado no passado está chegando mais rápido do que eu previa. Coisas de mãe, talvez, pensar nessa passagem do tempo assim, quando observamos essa transição. A Isa já tem espinhas. Algumas peças da Bruna já servem nela. Ah os minutos do relógio não param, ou, como preferimos contar, as fases lunares se sucedem. Estamos na Lua Crescente do Arthur. Sim cada um dos meus filhos tem sua Lua e meu marido diz que essa é uma das minhas loucuras. A Isa sente muita saudade da irmã que há mais de 3 anos mora longe. Muitas vezes pego ela olhando a foto delas juntas e vejo seus olhos lacrimejando. Sinal de ternura. A saudade também dói. Outras semelhanças engraçadas: A Isa conversa no banho, como a Bruna. Ela também brinca sozinha de professora com suas bonecas e fala que fala. E anda ficando “enjoada e demorada” para se arrumar e o pai diz: “Ai minha Santinha, tá parecendo a Buda”. E sei que ele fala isso também exalando saudade e carinho. Hoje é um daqueles dias que eu acordei com muitas saudades da Buda e de outros personagens que amo. A distância e a proximidade caminham juntas no meu coração.

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Traços entrelaçados de amor das irmãs Terra & Água

 

publicado às 11:19

Sobre personagens, memórias e infância

por Ivone Neto, em 17.10.18

Tenho muitas imagens tatuadas em minha alma. Sentada na rede, sentindo o vento que sopra, muitas afloram despertando sorrisos e lágrimas das saudades felizes que cultivo. Tenho algumas fotografias que registraram momentos marcantes com personagens e lugares que Amo. Uma delas é essa foto do Tio Bertim com meu caçula Arthur contando a história de sua arte em distintos sentidos.
Na minha viagem de 3 anos atrás, lá no terreiro da casa de tia Maria eu observava esses dois meninos conversando e corri para pegar a câmera e clicar. Criativo por natureza, tio Bertim encanta as crianças com sua fala sensorial, seu jeito simples e divertido. Que encantamento ter um tio assim.

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publicado às 16:49

Memórias afetuosas

por Ivone Neto, em 04.10.18

Tenho algumas fotos antigas, daquelas que ficávamos aguardando ansiosos a revelação. Lembro do meu marido reclamando: “você gasta dinheiro que nem temos para comprar filme e revelar fotos”. E eu insistia em espremer essa grana curta para registrar esses momentos. Revendo essas fotografias bate uma saudade. Essas memórias afetuosas da infância da minha primogênita são tão valiosas. Retratos de Amor.

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O pai e a filha há 20 anos atrás. Os dois bronzeados no verão de outros tempos.

publicado às 19:16

Os irmãos e o abraço

por Ivone Neto, em 02.10.18

Uma das melhores cenas do meu cotidiano é observar o carinho dos irmãos. Eles são muito afetuosos. Tão diferentes e tão próximos. Brincam e brigam. E dão muita risada juntos. Quando eles se abraçam exalam amor. Pense em um abraço apertado que afaga até a alma, deles é assim. É um dos retratos de amor que enternece meu coração. É sensação que deixa saudade. É marcante. É amor. É presente. 

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publicado às 19:10


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